Cata-ventos Lunares: Passe de lua nova, abril de 2006.

Passe de lua nova, abril de 2006.

Por último penso o destino, agora é tempo de canto. Viver essa escrita é molhar no sangue o pincel que relata crônicas de um cotidiano inventado? E por que não? A tinta é boa e o pincel tem uma insegurança que ao mesmo tempo harmoniza e defende o tempo.

Não é canto de dor, não penso que um dia foi. É pele de pensamento. Não cessa o sentenciar. Nunca acaba, o espelho terá sempre de ser quebrado, para que o sempre esteja presente.

Recordo qu’eu girava em torno de mim, ele fingia me ignorar. Subimos os montes. Não éramos morros. É difícil maturar. Às vezes pendo ao podre, talvez até caia no esgoto para sentir que sou crua. Mas não, não é essa podridão que eles falam, eu sei. Apodrecimento de mim, da pele-cabeça insistente infantil que briga com si no avesso do sorriso exposto. Encasulada choro, é difícil maturar.

É difícil quebrar meu rosto no espelho, mudo a parede, errei o soco.

Sinto algo me tomar de assalto. Vou cantar:

Baby
Red, red fire is what you breathe
Don't you want to be clean?

Daí sentamos nas pedras miúdas. Eu fiquei de joelhos, ele deitou e nos masturbou.

Don’t you want to be free?

O sol é tão quente e sozinho. Eu gosto disso. Vou tentar despir meus olhos em pensamentos. Sei que posso sentir a nudez. Sei também que “isso” não vai me matar.
Obrigada pela lembrança, nunca esqueci do destino. Escrevo para nós, minha cara solidão.


Abraço solar
da sua nova velha amiga

Eliane